Sábado, 3 de Junho de 2006

O REGRESSO DE SIDÓ COM "SIMBIÓSES"

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Sidónio Pais

SIDÓ é cantor oriundo da Guiné-Bissau e vive em França. O seu novo álbum intitulado SIMIBIÓSES, com 15 temas, marca o regresso do artista, segundo a opinião dos actores da música africana.

A década de “70” marcou a nascença da música moderna Guineense e SIDÓ começou a cantar justamente em 1972 com Capa Negra, um conjunto de estudantes do Liceu “Honório Barreto”, mais tarde rebaptizado “Kwame N'Krumah”.. Graças a ao tema “Quilis qui cata muri” (os imortais), uma canção composta e cantada estritamente por SIDÓ, o Capa Negra se destacou nitidamente entre as dezenas de conjuntos existentes no País, inclusive o lendário Cobiana Jazz.

Entre 1973 e 1976 o conjunto do SIDÓ foi o mais famoso de todos.
Em Setembro de 1976, SIDÓ decide ir continuar os estudos em Portugal.
Solicitado pelos empresários aí instalados (Infali Dabó, Erásmo Robalo, etc.), SIDÓ forma o conjunto Sabá Miniambá. Juntos gravam 2 discos que, tendo sido alvos de forte censura pelo então Governo da Guiné-Bissau, mormente através da proibição de passagem desses temas nas emissões radiodifundidas do país.

Apesar dos entraves políticos no país, SIDÓ e Sabá Miniambá continuaram a fazer "tournées" em Portugal, ao mesmo tempo que também participavam nos primeiros festivais de música Africana organizados em Portugal, no caso pelo João Pedro, actual Director da edição VIDISCO. Nesses festivais, participavam também cantores como o BONGA, BANA e os conjuntos VOZ de CABO-VERDE, AFRICA TENTAÇÃO e outros.

Em Setembro de 1979, SIDÓ parte para Paris para uma nova conquista musical.
Sabá Miniambá vai ao seu encontro. Juntos, pedem asilo político e instalam-se em França, a partir da qual realizam digressões a Holanda, Luxemburgo e Portugal. Poré, Saba Miniambá dissolve-se em 1980, mas SIDÓ continuou a fazer fazendo uma carreira de cantor a solo.

Logo em Janeiro de 1981, o cantor encontra o produtor da orquestra BAOBAB e do "NHONNAS" PEDRO, com o qual assina um contrato de produção e edição musical. Nesse mesmo ano, apareceria ao grande público o “Nha Terra na Quil Tempo”, o primeiro trabalho discográfico de um guineense a ser editado em França, excepção todavia feita ao FONSECA (cantor senegalo-casamansês), intérprete da canção "Si bu tem bu fidju fêmea".

Encorajado pelo seu público, SIDÓ lança-se na autoprodução. Nesse sentido, revela-se, mais uma vez, como o primeiro artista da Guiné-Bissau a abalançar-me em tal opção, trazendo à luuz do dia o álbum intitulado “Camba Mar”. Instala-se assim um clima de confiança e de estima que, desenvolvendo-se, estimulam interactivamente a acção criativa do artista/cantor e da comunidade senegalo-guineense. É nesse período que SIDÓ anima os concertos eu/ou bailes da diáspora nas cidades de Evreux, Mantes la Jolie, Les Mureaux, Marseille Toulon St. Nazaire etc.

Entre 1985 e 1993, SIDÓ e TAMBA KUMBA seu novo conjunto, participaram nos festivais de: Sfinks na Bélgica, Casino de Suiça, Fêtes et Forts em Aubervilliers e Champigny, Fête de I'Humanité (equivalente à festa do Avante), e com as diversas MJC (casas da juventude e da cultura) de Paris e arredores. SIDÓ canta também para a comunidade cabo-verdiana de Bóston, de Pawtucket em Rhode Island, etc. Paralelamente à actividade musical no palco, o artista ainda teve tempo de enveredar para actividade comercial-cultural como forma de estimular a criatividades dos artistas, abrindo, para o efeito, a “Discos Sido”, uma loja de vendas de discos em Lisboa, entãi instalada no Centro Comercial da Mouraria.

Em 1994 SIDÓ resolveu investir no associativismo e funda a Associação AMA-GB – Associação dos Artistas Músicos Originários da Guiné-Bissau em França) – sem todavia deixar de dar vazão às enormes solicitações que amiúde o levavam a digressões em Portugal, Espanha, Alemanha e Guiné-Bissau.

Em 1998, quando explodiu a guerra civil na Guiné-Bissau, SIDÓ mobiliza seus compatriotas para uma marcha silenciosa junto à sede da UNESCO em Paris. Objectivo? Fazer participar directamente a diáspora guineense na busca da paz. Após este acto, SIDÓ reúne alguns artistas bem conhecidos para a produção de um álbum cuja receita se destinava às vítimas da guerra, sobretudo velhos e crianças.

Imediatamente após a guerra civil, SIDÓ foi convidado pela Liga Guineense dos Direitos Humanos para participar na semana de conferências para Paz Reconciliação e Desenvolvimento. Enquanto certos artistas voltavam costas a este evento de capital importância para a reconstrução do País, SIDÓ se prontificou-se sem condições a dar a sua colaboração.

SIDÓ não somente é o pioneiro, mas igualmente um percursor da moderna música guineense e, sobretudo, um inovador atento às novas tendências evolutivas do panorama cultural na qual se inscreve a música da Guiné-Bissau. Aliás, ilustra isso o álbum SIMBIÓSES no qual, para além dos temas figurarem iniludivelmente como o testemunho das vincendas relações de confiança e estima entre SIDÓ e as associações e empresários guineenses, é também o penhor seguro do seu permanente esforço de valorização da diversidade cultural guineense, aliás, vertente essa em que igualmente se embala os ritmos nas intrincadas conexões – e no qual, aliás, SIDÓ também se inspira com inquebrantável fidelidade, visando uma intervenção que, pela via do conceito inédito de dar vazão à multiplicidade cultural e musical da Guiné-Bissau (Paródia, Reflexão, Charme e Tradicional) –, contribua para que para que a cultura continue sempre sendo nossa referência, e se deixe embalar pelas melodias e ritmos de SIMBIÓSES.

Leopoldo Amado
publicado por jambros às 16:17
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