Quarta-feira, 7 de Junho de 2006

"Shooting Dogs"

Ruanda.jpg
John Hurt em cena do filme "Shooting Dogs", dirigido por Michael Caton-Jones

Vi há um mês este filme recente que retrata a matança dos tútsis em 1994, em que mais de 800 mil pessoas foram mortas, sob o olhar indiferente do mundo.Todos os grandes personagens viraram as costas a esses massacres. Os boinas-azuis, os belgas, os directores brancos, os presidentes negros, as pessoas humanitárias e os cinegrafistas internacionais, os bispos e os padres, e finalmente até Deus.

No filme “Shooting dogs”, do director escocês Milhal Cartão-jovem, a acção desenrola-se em um lugar real que serviu de abrigo aos acossados tútsis: a escola secundária Ecole Technique Officielle, com sede em Kigali.

O padre católico inglês Christopher (interpretado pelo actor John Hurt) e um jovem professor tentam a qualquer custo evitar as matanças na capital Kigali e proteger mais de 2.500 tútsis e hútus moderados que são perseguidos pelas milícias extremistas. Mais uma vez, é realçado o carácter de desamparo das vítimas. Quando chegam as tropas francesas à capital, a ordem é clara: só serão resgatados os estrangeiros brancos. Nas horas seguintes à partida dos soldados, a grande maioria dos abrigados da escola é brutalmente assassinada.

“Eu decidi que, mesmo com dificuldades, nós tínhamos que rodar o filme em Ruanda e filmar na Ecole Technique Officielle. E devíamos também fazer o filme com os sobreviventes do genocídio. "Eles precisam contar suas histórias”, disse o director Caton-Jones. A equipe viajou ao país e passou cinco meses até terminar as filmagens em Kigali. Muitos ruandeses participaram do projecto, como Maggie Kenyama que serviu como assistente de direcção. Ela perdeu a irmã durante o massacre e até hoje procura pelo corpo.

“Shooting dogs” teve sua estreia mundial em Kigali. Mais de 1.500 pessoas, dentre elas alguns sobreviventes do genocídio e participantes da produção, foram ao estádio Amahoro, na capital de Ruanda, assistir à primeira exibição do filme. Apesar de gerar discórdias por reavivar memórias de um episódio ignominioso, o presidente ruandês, Paul Kagame, mostrou-se satisfeito. “Filme como este ficará como parte de nossa memória relacionada ao genocídio, e eu acho que a memória precisa ser guardada”, disse.

Os que conhecem ou temem de alguma maneira a dimensão maior do ódio, deviam ver este monumental filme, até para prevenirem do absurdo que normalmente cresçe sorrateiro e em silêncio, para de repente explodir que nem um vulcão adormecido em cega fúria.
publicado por jambros às 13:37
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