Domingo, 21 de Maio de 2006

Expo-África Século XXI - Uma concepção de João de Barros

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NOTA: O post seguinte é o resumo que fizemos de apenas uma parte do dossier/Projecto "Expo-África Século XXI" que o autor, João de Barros, amavelmente nos cedeu em Bissau em jeito de apresentação, em Dezembro do ano transacto, pelo que o texto que se segue não vincula grandemente o autor. Por se tratar de um assunto/tema/Projecto que reputo de sumamente importante – e que considero dever ser alvo de uma ampla e séria auscultação pública – tomei a liberdade de aqui divulga-lo em “miniatura” – obviamente, com a permissão prévia do autor, recorrendo-nos, sobretudo, por razões óbvias, aos aspectos mais descritivos que técnicos, no intuito alguma maneira dar a conhecer os seus contornos e igualmente auscultar opiniões e/ou sensibilidades sobre o mesmo. Hei-lo, portanto, e a nossa opinião, dar-la-emos proximamente, na medida em que apesar do texto que se segue ter sido escrito por nós, também não nos vincula, necessariamente.

João de Barros – actual Secretário de Estado da Comunicação Social da Guiné-Bissau –, vem aprimorando e ultimando a concepção de um Projecto de realização de uma exposição denominada "Expo-África Século XXI". À semelhança das várias exposições internacionais que já vêm sendo realizadas desde o século XIX nos epicentros da modernidade (Londres, Paris, Chicago, entre outras) –, ressalta o objectivo primordial de, por um lado, fazer jus a dupla necessidade de preservação dos valores tradicionais próprios e simultaneamente, por outro, aos imperativos da modernização, segundo a racionalidade e o conceito radicado na convicção de que o conhecimento humano é transnacional.

Assim como a Torre Eiffel, o Palácio de cristal e a Roda gigante mantiveram-se no imaginário colectivo como símbolos visíveis do avanço tecnológico exibido nas mais diversas exposições, a "Expo-África Século XXI" pretende mostrar e ensinar as virtudes do tempo presente e confirmar a previsão de um futuro promissor, quer pela via da salvaguarda dos valores tradicionais e culturais, quer pela amostragem do mundo moderno e avançado em que vivemos, desdobrando-se a mesma em espectáculos nos campos da ciência, das artes, da arquitectura, dos costumes e da tecnologia.

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Um pormenor do Projecto "Expo África Século XXI"

É escusado dizer-se que, tal como as outras grandes exposições mundiais, João de Barros certamente ponderou igualmente a possibilidade de a "Expo-África Século XXI" apresentar-se como um símbolo material imprescindível ao reforço do sentido da Nação e da reconciliação que se impõe entre os guineenses, mas também uma oportunidade para exorcizarmos a generalizada sensação de decadência moral, de degeneração do espírito, de enfraquecimento intelectual e, consequentemente, a necessidade de se conferir um novo Élan as virtualidades latentes da Guiné-Bissau e dos guineenses, de modo a que, sem perdermos de vista a necessidade de preservação dos fundamentos do nosso substracto cultural e societal, possamos também acertar o passo com o mundo moderno.

Segundo a proposta de João de Barros, o palco da "Expo-África Século XXI" (exposição que se pretende Universal e Pan-Africana e em que todos os países africanos e organizações internacionais, de parcerias africanas, estarão igualmente representadas ) será a Vila de João Landim, “janela aberta ao encanto da Natureza, cultura universal e moderna, e a uma vida saudável com produtos naturais de excelente qualidade”, localidade que será um pólo de Desenvolvimento Regional que projectará a visibilidade internacional da Guiné-Bissau, na medida em que a concepção da “Expo-África Século XXI” assenta igualmente no compromisso da Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano (NEPAD).

Serão ali construídas, de raiz, infraestruturas que orçarão cerca de 800 milhões de dólares americanos, prevendo-se, segundo o autor do Projecto, que a exposição venha a ter lugar nos finais da presente década, a qual acolherá ainda convidados guineenses (do país e da diáspora) e individualidades de mérito inquestionável e mundialmente consagrados nas mais diversas áreas, a saber: política, ciência, tecnologia, empresariado, artes e letras, e outros, a fim de proferirem colóquios, conferencias e/ou palestras em vários domínios, com destaque para as áreas que, entre outras, interessem particularmente a Guiné-Bissau, quais sejam:

- A problemática da paz e do desenvolvimento do continente africano;
- Questões universais, tais como: soberania alimentar, a água como um bem comum;
- Desmilitarização dos povos africanos;
- Educação para a democracia e o direito ao desenvolvimento;
- A luta contra a desertificação e os perigos sobre-exploração dos recursos naturais;
- A escravatura;
- Pandemias e as doenças modernas;
- A fome no mundo;
- Os limites da responsabilidade Estatal;
- O VIH-SIDA e outras novas doenças e epidemias;
- Responsabilidades sociais das empresas;
- Democratização das tecnologias de comunicação e informação;
- As novas formas do racismo, e da violência;
- A diversidade cultural num mundo em profunda globalização
- O Direito Internacional e os desafios sociais do Milénio.

À semelhança da multiplicidade de opiniões dissonantes que, no respeitante ao Projecto de construção da torre metálica de 160 metros, de autoria de Gustave Eiffel, dividiram na altura a fina flor da intelectualidade francesa no século XIX, antevê-se igualmente que na Guiné-Bissau a “Expo África Século XXI” possa suscitar acesa polémica e até dividir opiniões relativamente a este Projecto de autoria de Arquitecto João de Barros, salvaguardadas embora as devidas proporções, contextos, nuances e motivações diferenciadas entre um e outro Projecto.

Temos pois para nós que, apesar da magnitude dos nossos problemas mais elementares e da nossa pretensa pequenez territorial e espiritual e a pobreza, é salutar que ousemos sonhar e ousemos vencer, desde que sobre uma base e postulados que assentem equilibradamente na nossa determinação de também dasafiar os limites do nosso enclausuramento existencial, pelo que importa essencialmente que o Projecto de João de Barros possa suscitar um sério e multidisciplinar debate sobre a sua viabilidade, na medida em que, independentemente das probalidades de sua implementação ou não ou dos efeitos colaterais que o mesmo possa engendrar (certa e eventualmente positivos ou supostamente perniciosos), os debates que sobre ele recairão jamais se apresentarão como simples exercícios de espírito – assim espero – pois comprometem a seu modo o futuro.

Oxalá a "Expo África Século XXI", após tanta polémica possa, à semelhança do sucesso granjeado em 1879 por Gustave Eiffel, apresentar-se como uma esperança para a Guiné-Bissau e os guineenses, tanto mais que João de Barros está disso convicto, na medida em que a Expo África, segundo o próprio, apresenta também acrescidas e importantes vantagens económicas (incremento de postos de trabalho, requalificação urbananística e ambiental), para além de inovações importantes em matéria de lazer, desporto, turismo e outros sectores.
publicado por jambros às 13:11
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